"O Lusitano já não é um clube de Bairro" - Edição Jornal
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“O Lusitano já não é um clube de Bairro”

“O Lusitano já não é um clube de Bairro”

António Loureiro está na presidência do Lusitano Futebol Clube há oito anos. A associação nasceu em 1916 em Vildemoinhos com um clube de futebol, contando hoje com as modalidades de futsal feminino e ginástica.

Na temporada 2015-2016, o Lusitano venceu a Taça Distrital de Sub-10 e a Supertaça de Futsal Feminino.

Em entrevista à Estação Diária, o Presidente confessa as dificuldades de gerir o clube.

O futuro do Lusitano passa por ter as equipas de formação ou de fora? Perdeu-se a
mística da “camisola para a vida”?

O objetivo é ter no mínimo uma equipa de juniores muito forte. O Lusitano é um bom clube para fazer de “trampolim” para os sonhos dos jovens. Acho que os únicos que jogam com amor à camisola são os próprios dirigentes desportivos. Atribuo responsabilidade aos pais: em vez de criar um bom projeto para os filhos, preocupam-se em saber qual é a equipa que está no Nacional, e no ano seguinte mudam os filhos para outro emblema, como saltimbancos. Há miúdos de 12 anos que vão ao Sporting prestar provas, e depois aos 15 nem para o Lusitano servem. Acabamos por não ter qualidade nas equipas seniores.

O que acha duma eventual fusão dos clubes distritais?

Para mim, é uma utopia, devido às rivalidades existentes entre os clubes em Viseu. A política de criar novos clubes não leva a lado nenhum. Se formos ver ao longo da história de Viseu, há clubes que apareceram e desapareceram. Isso complica a atribuição de apoios.

O Futsal Feminino tornou-se um ponto de honra. Vai manter-se?

Sim. Entrámos com um escalão sénior. Começámos do zero e chegámos ao topo do nível distrital. Já estivemos na 1ª Divisão. A modalidade é pouca apoiada, principalmente ao nível feminino. Agora estamos a tentar novamente chegar ao topo.

 O Lusitano dispõe agora do campo da Quinta da Cruz para treinar, mas nem sempre houve esta facilidade de recursos…

O nosso estádio dos Trambelos é obsoleto. Tivemos uma equipa sénior a treinar no Pavilhão das Cavalhadas, em piso de cimento até fevereiro… isto para disputar uma subida na 2ª Liga. Temos um peso com o nosso património, porque não temos orçamento. Preferia estar na mesma situação que outros clubes da cidade, que não têm património, mas podem recorrer à Câmara para outros apoios. O estádio foi reprovado por um Inspetor da Liga de Futebol, que disse que o edifício era para deitar abaixo e fazer de novo.

Relativamente à próxima temporada: a Federação fez uma redução de seis equipas. Como é que isso muda a sua perspetiva em termos de preparação?

O Campeonato de Portugal é cada vez mais exigente. É uma situação que me preocupa bastante. Estou a pensar antecipar eleições no clube para julho, porque não havendo cansaço da minha parte, sinto que há falta de apoio para o projeto. Com os apoios atuais dificilmente faço evoluir o clube.

Pondera criar uma Sociedade Anónima Desportiva?

Já não somos um clube de bairro. O Lusitano está no patamar certo. Se alguma vez aparecer um investidor disposto a trabalhar de forma séria e honesta, estamos recetivos a qualquer projeto. Tem havido contatos para criar uma Sociedade Anónima Desportiva, mas no futebol as coisas evoluem de forma muito rápida. Não me vou prejudicar a nível pessoal em prol duma causa, por mais que goste do Lusitano. Há gente que não cumpre o seu papel. Precisamos de mais apoios.